Em meio ao endividamento das famílias e à proibição das bets, iniciativa da Consultoria Ponto C propõe três semanas de autoconhecimento, exercícios diários e construção de novos caminhos.

Apoio: FNCC – Federação Nacional das Cooperativas de Crédito

As contas continuam chegando. A vontade de recuperar o dinheiro perdido pode persistir. E, para quem enfrenta problemas com apostas, a vergonha de contar o que aconteceu pode tornar a busca por ajuda ainda mais difícil. Nesse cenário, interromper o acesso ao jogo é uma medida de proteção, mas o cuidado também precisa alcançar as emoções, as finanças e a rotina.

É com esse propósito que a Consultoria Ponto C desenvolveu o AMAR – Apoio Mútuo ao Apostador em Recuperação, um projeto 100% gratuito destinado a apoiar pessoas que desejam se afastar das bets e de outros jogos de apostas.

A iniciativa reúne 22 vídeos, um de boas-vindas e 21 aulas, exercícios diários e materiais complementares em PDF. Organizada em três semanas de autoconhecimento, a proposta convida o participante a reconhecer seus gatilhos, olhar para a própria realidade financeira e começar a construir novos hábitos.

Um país endividado e uma mudança no acesso às bets

O projeto chega em um momento de pressão sobre o orçamento das famílias. Segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, o Brasil registrou aproximadamente 83,9 milhões de pessoas inadimplentes em agosto de 2026. O indicador retrata dificuldades financeiras de diferentes origens; não significa que todas essas dívidas estejam relacionadas às apostas.

Nesse contexto, a expectativa de resolver dificuldades com um prêmio pode se transformar em mais perdas. Quando o dinheiro das necessidades essenciais entra no jogo, as consequências podem ultrapassar o orçamento e atingir o sono, a convivência familiar e o bem-estar.

A Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país, alcançando também operadores anteriormente autorizados. O calendário prevê a retirada dos sites e aplicativos em 6 de outubro. A medida está em vigor e depende de análise do Congresso para sua conversão em lei.

A mudança nas regras reforça a necessidade de oferecer caminhos de apoio a quem vinha organizando parte da vida em torno das apostas. As dívidas, os conflitos e a dificuldade de controlar o impulso podem continuar exigindo atenção.

Três semanas para começar a construir um novo foco

No AMAR, os exercícios distribuem o cuidado em três etapas complementares.

Na primeira semana, o foco está nas emoções e na percepção dos impulsos. Reconhecer gatilhos, praticar atenção ao presente e criar barreiras de proteção são alguns dos convites. A frase “A vontade não é uma ordem” resume a proposta de desenvolver respostas possíveis entre sentir o desejo e agir.

Na segunda semana, a atenção se volta ao dinheiro. As atividades incentivam o participante a observar os números sem vergonha, proteger os recursos das despesas essenciais, organizar o orçamento e avaliar caminhos para negociar dívidas.

Na terceira semana, a jornada aborda a continuidade do cuidado: dar novos destinos ao tempo, fortalecer hábitos, conversar com a família e construir um plano de ação para a vida longe das apostas.

As três semanas oferecem uma estrutura para começar e praticar novas escolhas. Não representam um prazo de cura nem um tempo garantido para a mente estabelecer um novo foco. A formação de hábitos varia conforme a pessoa, o comportamento e as circunstâncias; pesquisas não sustentam uma regra universal de 21 dias.

Cuidar das emoções também faz parte da reorganização financeira

Mais do que apresentar ferramentas para lidar com contas, o AMAR abre espaço para perguntas sobre a relação com o jogo: o que a pessoa buscava ao apostar? Em quais momentos a vontade aparece? Que atividades e vínculos podem ajudar a ocupar esse espaço?

A proposta é transformar essas reflexões em pequenas ações cotidianas, com acolhimento e sem julgamentos. Pedir ajuda, reconhecer dificuldades e retomar o cuidado com o próprio dinheiro fazem parte desse processo.

O projeto tem caráter educativo e de apoio e não substitui avaliação ou tratamento profissional. O Ministério da Saúde reconhece o transtorno do jogo como uma condição que pode comprometer as finanças, as relações e a saúde emocional. Quem enfrenta problemas relacionados às apostas pode procurar acolhimento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Como participar

O acesso ao AMAR é 100% gratuito pelo endereço:

Acesse a plataforma agora

Ou acesse: //bets.canaldobemestar.com.br/

 

O participante pode começar pelo vídeo de boas-vindas e seguir a proposta de uma aula por dia, utilizando os exercícios e materiais em PDF.

Se você conhece alguém que precisa desse apoio, compartilhe o projeto de forma acolhedora. Uma conversa sem julgamentos pode abrir espaço para o primeiro passo.